Continuando a história do Rei sem reino. O Rei estava constantemente a ser sujeito a dilemas.
À primeira vista ser Rei é muito fácil. É só dar ordens! Os Reis das Histórias são Bons ou Maus, é muito simples. Os Reis bons, fazem coisas boas, são sorridentes e contentes. Têm uma filha princesa e uma Rainha que pode ser boa ou má, conforme a história. Os Reis maus têm que estar zangados com toda a gente e fazer coisas más.
Mas o problema do nosso Rei é não se catalogava como sendo um Rei Bom porque não era assim tão bom mas também não se podia dizer que era um Rei Mau porque pelo menos tentava fazer coisas boas.
Nunca se ouviu falar nas histórias que começam por "era uma vez", de um Rei Mais ou Menos?!... Que seca um Rei mais ou menos??? Que é isso?
Podemos experimentar! Ora aqui vai!
Era uma vez um Rei Mais ou Menos! Vivia num palácio mais ou menos bonito. E as pessoas gostavam mais ou menos dele. Havia umas que gostavam, havia outras que lhes era indiferente e ainda havia outras que não gostavam nada dele.
Mas este Rei tinha dilemas. Em relação ao pobre barbeiro , por exemplo. Ele foi cortar o cabelo ao filho que tinha umas orelhas de burro maiores que as do Platero. Teria mesmo de mandar cortar a cabeça ao barbeiro, se ele fosse bufar sobre as orelhas do príncipe?
Com certeza que estaria a ser injusto se mandasse cortar a cabeça do Barbeiro só por ele não ter conseguido guardar segredo. Mas por outro lado era a felicidade do filho que estava em jogo. Se toda gente soubesse que o príncipe tinha aquelas orelhas, este nunca seria feliz e estaria a sofrer por causa duma fraqueza que o pai tinha tido nos tempos de mocidade. Pois se não se lembram dos episódios anteriores havia uma fada que teria sido uma namorada falhada do Rei que por vingança fez o que fez ao filho. Mas que mania, carregarem nos filhos o ódio que têm pelos pais.
Pelo menos o Rei fez um pouco de bluf...contratou o barbeiro mais medroso que conhecia e ameaçou-o de morte. Pois assim tinha a certeza que o homem, ficaria com tanto medo que nunca se atreveria a contar o quer que fosse.
Mas como se vai ver mais à frente, nos contos de "era uma vez", a verdade vem sempre ao de cima! É como a justiça em Portugal, mas ao contrário! A verdade vai sempre ao fundo. O escândalo ainda fica a boiar à tona de água até cheirar mal mas depois vai ao fundo com toda a verdade que possa ter.
Mas como estamos numa história, a verdade ganha sempre! A liberdade de informação justa e desinteressada é respeitada! Por isso quem acabou por contar a verdade foi um pastorinho que fez uma flauta a partir dumas canas do bosque dos segredos! Pensando bem os pastorinhos são sempre bonzinhos, a começar pelos do presépio e a acabar nos pastorinhos de Fátima!